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domingo, 6 de março de 2016

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"Artigos



Foi, recentemente, divulgada a intenção do Governo no sentido de criar as condições para que possa ser alargado até às 19h30, num registo facultativo, o período de permanência diária na escola dos alunos que frequentem os segundos e o terceiro ciclos do ensino básico. Por outras palavras, haverá crianças e adolescentes que poderão entrar na escola às 8h30 e sair de lá 11 horas depois. Como acontece com muitos meninos do primeiro ciclo, atualmente. Esta medida, prevista para entrar em vigor até 2019, seria preenchida por atividades de extensão curricular - teatro, música ou desporto, por exemplo - e já mereceu o apoio, de princípio, dos diretores de escolas e das associações de pais (desde que estas atividades sejam, tendencialmente, gratuitas).
 
1.    Compreendo que a ocupação das crianças seja uma preocupação para todos os pais e que, em função dela, a escola possa ser uma resposta. Mas será motivo de sossego podermos ter crianças que passem 55 horas, por semana, na escola?
 
2.   Como pode um país que discute a reposição do horário de trabalho da Função Pública em 35 horas semanais conviver com naturalidade com um "horário de trabalho" de 55h por semana de algumas crianças? Dir-se-á que não é trabalho? Como se aqueles que, por vezes, reagem mal ao casamento entre aprender e brincar achassem que há áreas - que não aquelas que se vão considerando fundamentais para a aprendizagem - que serão lúdicas (mais próximas, portanto, do brincar) e que, portanto, não cansam, não exigem esforço, nem são trabalho.
 
3.   Contando com o caminho de casa para a escola, e vice-versa, haverá crianças que passam 13 horas por dia (mais ou menos) em relação com o seu espaço de trabalho. Se aos adultos são admitidos sintomas de burnout (que se traduzem em exaustão e sentimentos de confusão em relação a si e aos outros) que interferem com toda a sua vida, quando trabalham demais, e se se tem como provado que 55 horas de trabalho por semana aumenta, em relação a eles, o risco de enfarte, porque é que, ainda assim, tantas horas de trabalho e de aprendizagem são saudáveis ou inócuas para as crianças? E porque é que não merecem reservas? E porque é que tem de ser o horário de escola de muitas crianças a adequar-se aos horários de trabalho dos pais e não o contrário? E onde está o empenhamento de todos nós para se encontrarem alternativas (no direito do trabalho relativo aos seus pais, por exemplo)? E porque é que, quando crianças se desligam da escola, não se fala de exaustão mas, antes, surgem, como "sobretaxa", os défices de atenção?
 
4.  Será de esperar de quem passa 11h numa escola mais amor pelo conhecimento, mais sabedoria e melhores resultados escolares ou, pelo contrário, mais "funcionalismo", mais enfado e menos paixão, quando se trata de viver a escola (e tudo aquilo que ela oferece) neste regime aparente de semi-internato?
 
5.    Será que mais escola quererá dizer melhor escola? E que mais informação será, por inerência, mais sabedoria?
 
6.   Será que o mesmo espaço, o mesmo perímetro de regras, os mesmos colegas, os mesmos grupos, os mesmos funcionários trazem mais ganhos ao crescimento das crianças que a oscilação de grupos, de coletividades ou de clubes, de pessoas de referência ou de colegas (nem que, para tanto, a escola funcione como uma "agencia" que, através de protocolos, coloque as crianças em locais e atividades diferentes com a ajuda das autarquias)?
 
7.   E pode uma escola que, nalguns casos, entre aulas de 90 minutos tem recreios de 5, e onde há cada vez mais recreios tutelados pelos pais (para que as crianças não corram, não gritem e não sejam amigas do espalhafato), fazer bem ao deixar que muitas destas 11 horas sejam, quase todas elas, de contenção, contenção e mais contenção?
 
8.  Tenho consciência que as regras de muitas entidades patronais pressupõem que mais tempo no local de trabalho trará melhores desempenhos profissionais (e, portanto, que nem sempre o rendimento no trabalho seja acompanhado por jornadas mais curtas e melhor geridas), o que, já de si, é pouco razoável. Mas será legítimo que se pergunte se é sensato que a vida das crianças reproduza esses erros e se resuma a uma "sanduíche" do género mais escola/pior família. Aliás, imaginando que o caminho da escola até casa se possa estender entre 30 a 60 minutos, e pressupondo que as crianças tenham direito a tomar um banho, de fugida, às 20h30, será que (na melhor das hipóteses!) uma hora diária de família, entre as 21 e as 22 horas, de segunda a sexta, será razoável para que pais e crianças se conheçam, mutuamente, e cresçam uns com os outros?
 
9.    Se, há muito tempo, quando as aulas eram só de manhã, os trabalhos de casa (em forma e tamanho prudentes) poderiam ter todo o sentido, onde passarão eles a caber na vida destes "turbo-alunos"? A seguir ao jantar? E com que mais-valias, afinal? E onde caberia estudar: passear nos livros depois de os passear? Ao fim de semana?
 
10. Por mais que a vida de muitas famílias possa não ser fácil (não é!), será prudente dar à escola mais esta função de "ateliê de tempos livres"?
 
11. E como se pode compreender, neste contexto, o comportamento dos pais? Por um lado, há aqueles que iriam desesperar ao deixar os filhos em "autogestão" ou na rua e, assim, passarão a tê-los protegidos na escola. Por outro, haverá pais que, podendo ter os filhos consigo, irão usar (até à exaustão) estes tempos colocados ao seu dispor. E há, ainda, as crianças que, tendo famílias desmembradas, podem ter na escola a "proteção de menores" que não teriam noutras circunstâncias. Se os primeiros merecem ser protegidos por leis do trabalho mais amigas da família, os segundos mereceriam ser considerados negligentes, retirando-se daí as respetivas consequências. Já o terceiro grupo de crianças precisaria, primeiro, de ser protegido da sua família para que, depois, seja protegido; outra vez. Mas será razoável que nem tudo se pondere quando se trata de "desenhar" uma medida transversal a todas as crianças?
 
12. Não pode uma medida como esta ir em "contramão" com outra gestão mais ponderada dos tempos escolares (de muitas escolas, por exemplo, onde as aulas já terminam às 15h30)? Não pode uma medida como esta acabar por promover mais as discrepâncias e as oportunidades entre crianças desfavorecidas e crianças com recursos económicos, ao contrário daquilo que a bondade da ideia, certamente, consideraria?
 
13. Não é legítimo perguntar se esta resposta, que pode parecer prudente na sua intenção, não estará a tornar os "tempos livres" das crianças num bem em vias de extinção? Não terão os tempos livres de ser livres, por maioria de razão, e não será razoável deixá-los ao bom uso que as crianças entendam fazer deles, sob o olhar atento dos seus pais ou dos seus avós? E onde fica o brincar? Não será ele um património da Humanidade? Não devia, aliás, merecer uma proteção ainda mais empenhada e tão digna como aquelas que o fado, o cante alentejano e tantas outras preciosidades humanas têm vindo a merecer?
 
14. Fique claro, por fim, que este não é um texto contra o Governo. Não é! Aliás, como se viu, esta medida mereceu uma relativa unanimidade de muitos responsáveis. De várias tendências políticas, certamente. E é claro que não pretendo beliscar quem pensa a educação (e que, continuo a achar, devia estar mais, ainda, nos lugares de decisão sobre a escola e as políticas educativas). Mas pensando, unicamente, nas crianças - na sua saúde, no seu desenvolvimento, na relação com a escola, com a família, com as pessoas, com o mundo e com o futuro -, não seria altura de nos perguntarmos todos o que queremos fazer do crescimento delas, encontrando medidas que lhes tragam o imenso privilégio de aprender e, ao mesmo tempo, o "direito constitucional" de serem crianças quando devem ser, trabalhando (todos nós!) de forma empenhada para que esse talento nunca se perca, sempre se acarinhe, sempre se preserve e, para nosso bem, sempre nos interpele?
 
15. Que sentido tem existirem pais que, ao mesmo tempo que reconhecem terem tido uma infância muito mais feliz que a dos seus filhos, não se juntem para mudar o mundo das crianças, na sua relação com a escola? Fará sentido que nos transformemos todos numa "maioria silenciosa" que convive com esta "unanimidade" sem que se encontrem alternativas que acarinhem a escola, aconcheguem os miúdos no teatro, na música e no desporto, por exemplo, mas sem que ninguém se esqueça da importância que os tempos livres e o brincar têm para que o superior interesse das crianças tenha vistas largas?
 
16. Como se podem criar crianças que passam tantas horas dentro do espaço da escola e esperar que elas ponham garra, engenho e paixão nos seus gestos, quando se trata de serem pessoas melhores?
17. Podem crianças cansadas tornar-se pessoas melhores?"
EDUARDO SÁ


extraído de-  http://www.leyaeducacao.com/


quarta-feira, 2 de março de 2016


Manual de instruções para uma criança feliz

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Os bons pais erram! Esganiçam-se, têm “ataques de nervos” e “passam-se”! Tirando os pais que fazem de Dupont e Dupond, e aqueles que nunca se enganam e raramente têm dúvidas, todos os outros são bons pais!

Os pais tão depressa reconhecem que a sua infância terá sido mais livre, mais amiga do brincar, menos atolada em compromissos e mais feliz como, ao mesmo tempo que não fazem tanto como deviam para replicarem essa “fórmula de sucesso”, repetem (de forma exaustiva) que quase tudo seria diferente na relação com os seus filhos se eles nascessem equipados com manuais de instruções. Não serão estes pais escolarizados tentadoramente tecnocráticos? E se ainda hoje guardam a infância como um período feliz, isso deve-se ao bom manual de instruções que os seus pais seguiram a preceito ou ao modo como tiveram tempo para ser crianças, com a ajuda preciosa que isso representa para cicatrizar trapalhadas e engendrar paixão pela vida e engenho para crescer? Seja como for, se a desculpa passa por não haver um “manual de instruções”, vamos lá imaginar um, mais ou menos clandestino, para que não haja mais desculpas...

1. Nunca estamos preparados para ser pais. As crianças dão imenso trabalho. Só crescemos com elas quando somos obrigados a crescer. E nada é fácil para os pais.
2. Nunca se educa só por instinto (materno ou paterno). Mas quando se educa “by de book” todas as crianças se estragam.
3. As crianças precisam de tempo para crescer. E precisam de (muitas) oportunidades para aprenderem a ser crianças!
4. Todas as crianças são inteligentes. E se, hoje, elas parecem mais espertas, é porque os pais, quando os filhos são pequeninos, as estragaram muito menos.
5. Todas as crianças saudáveis são de ideias fixas e são teimosas. A teimosia depende, de forma direta, do modo como elas sentem que o pai ou a mãe ora se zangam, como deviam, ora hesitam e se encolhem, quando se trata de lhes dizer: “Não!”. São, portanto, precisos ritmos, regras e rotinas coerentes e constantes para crescer.
6. Todas as crianças sabem o que querem. Se o não manifestam, e são certinhas, é porque têm medo de contrariar os pais. Já aquelas que parecem ter uma “personalidade forte” estão a transformar-se, contra a vontade de todos, em chefes da família. E isso só lhes faz mal!
7. Todas as crianças precisam de brincar duas horas, todos os dias, depois do jardim de infância ou da escola. Brincar é tempo livre! Tempo gerido por elas, sob o olhar atento de um dos pais ou dos avós.
8. Os brinquedos não têm sexo. Não é a forma como os rapazes brincam com bonecas ou as raparigas com carrinhos que estraga as crianças na sua relação com a identidade. Mas o modo como o pai e a mãe se dão como modelos, com equívocos (levando a que nem sempre apeteça, quando se cresce, ser como eles), ajuda a isso.
9. Todas as crianças precisam de correr, de falar alto, de se mexer e de imaginar. Transformar vídeos, telefones, tablets ou computadores em babysitters, todos os dias e a todas as horas, faz mal à saúde das crianças.
10. Para serem felizes, as crianças precisam de estar tristes. Crianças que podem estar tristes são crianças mais seguras.
11. Sempre que uma criança está triste, os pais estão proibidos de perguntar porque é que ela está assim. Mas se lhe derem um bocadinho de corpo de mãe ou de pai (sem palavras!) a tristeza delas leva a que cresçam melhor.
12. As crianças não crescem felizes à margem da autoridade dos pais. Os pais saudáveis dão com uma mão e exigem com a outra. Não explicam todas as regras nem as justificam, mas exigem em função dos exemplos que dão. Sem nunca falarem demais!
13. As crianças felizes têm nas birras o “último grito” duma “prova de vida”. Significa que têm pais atentos mas que não são nem ameaçadores nem tirânicos. Por mais que uma birra não possa ter muito mais de 10 minutos!
14. Crianças felizes não se transformam em metas curriculares para os seus pais.
15. A família ensina mais que a escola e brincar é tão indispensável como aprender. Logo, crianças que, para além da escola, se desdobram em atividades extra-curriculares e trabalham das oito às oito, crescem infelizes e com pouca amizade pelo conhecimento.
16. Crianças felizes ligam orgulho, esperança e humildade. São valorizadas por aquilo que fazem bem, são corrigidas sempre que se enganam e repreendidas logo que não tentam.
17. As crianças não são o melhor do mundo, para os pais, se as relações amorosas adultas, que eles tiverem, viverem, unicamente, à sombra delas.
18. As crianças precisam de mãe e de pai para crescer. Pais que convivam, mesmo que não coabitem. E ganham se os sentirem, diariamente, atentos e participativos.
19. O pai e a mãe não estão sempre de acordo. E isso torna as crianças mais saudáveis! O desacordo dos pais está para o seu crescimento como o contraditório para o exercício da justiça.
20. As madrastas ou os padrastos, quando os há, nunca são tios! São segundos pais! Devem, portanto, dar colo, exercer a autoridade e promover a autonomia como só os bons pais sabem fazer! 
21. Os avós devem “estragar” as crianças com mimos. Quanto mais os avós interpelam os pais, mais as crianças crescem saudáveis.
22. Os bons pais estão autorizados a não se zangarem um com o outro à frente das crianças! Por mais que isso não adiante quase nada. Na medida em que, por maiores que sejam os seus cuidados, as crianças nunca deixem de sentir se eles estarão ligados um ao outro, amuados ou, até, birrentos. 
23. Os bons pais não se desautorizam um ao outro, diante das crianças. Se bem que elas reconheçam que, sempre que a mãe e o pai discordam, a propósito delas e seja acerca do que for, é impossível que alguém fique indiferente.
24. Os bons pais erram! Esganiçam-se, têm “ataques de nervos” e “passam-se”! Tirando os pais que fazem de Dupont e Dupond, e aqueles que nunca se enganam e raramente têm dúvidas, todos os os outros são bons pais! Sobretudo, quando assumem, com lealdade, que aprendem sempre que se reconhecem num erro.
25. Os bons pais adoram os filhos e adoram estar sem eles! Mas os bons pais não podem viver os seus tempos sequestrados pelos tempos dos filhos. Pais que namoram todos os dias são melhores pais! Pais que confiam os filhos à guarda dos avós ou dos tios, uma vez por mês, ao fim de semana, amam-nos mais!
26. Os bons pais reconhecem que, todos os dias, há 200 minutos, que separam as crianças da felicidade: 30 minutos de filho único de mãe ou de pai, depois da escola; 120 minutos para brincar, todos os dias; 30 minutos para jantar, sem televisão; 20 minutos para namorar com a vida e para contar uma história, antes de adormecer.
27. Crianças felizes gerem cabeça, coração, corpo e alma; pais, irmãos, avós, tios e amigos; escola e brincar. Têm dores, têm medos, têm sonhos e projetos. E tudo isso ao mesmo tempo! Mas não são felizes se precisarem de ser “as melhores do mundo”. Para serem felizes, basta que sejam um bocadinho do melhor que há no mundo para quem só lhes quer bem.

copiado de http://www.paisefilhos.pt/index.php/destaque/8426
Leia mais crónicas do psicólogo Eduardo Sá:

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"Brincar é tão importante quanto aprender

Fevereiro 1, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Entrevista do http://lifestyle.sapo.pt  a Eduardo Sá
Artur
Brincar é meio caminho andado para um desenvolvimento saudável. «As crianças saudáveis e felizes têm a vista na ponta dos dedos e a cabeça no ar, fazem uma asneira de oito em oito horas e esgotam as quotas de impertinência a que têm direito», refere Eduardo Sá. Em entrevista à Prevenir, o psicólogo clínico aponta pistas da felicidade na infância dos dias de hoje. O especialista incentiva os pais a reviverem as memórias do tempo em que brincavam e a acabar com a sobreproteção dos mais pequenos, reclamando inclusive o direito à dor.
Recorde-nos a sua infância. Quais os momentos de maior felicidade de que tem memória?
Enquanto criança, recordo como os mais puros momentos de deleite, estar, com apenas dois anos, tardes inteiras com a cabeça no colo da minha avó.
Podemos tirar lições da criança que fomos para nos tornarmos melhores pais?
Sem dúvida, mas existem duas questões que me preocupam. Ou os pais nunca foram crianças ou talvez se tenham esquecido das crianças que foram. Parecem perder o coração e a alma. Tornam-se mais tecnocráticos do que propriamente pais, por vezes por se sentirem atropelados com algumas experiências infantis que tentam de tal forma fugir delas, fazer diferente, melhor, que quando se dão conta estão a ser outra coisa que não pais, lutam contra fantasmas.
Um exemplo disso acontece quando se tenta explicar às crianças para onde vão as pessoas quando morrem, como se a morte fosse um assunto perfeitamente esclarecido e resolvido dentro dos pais. Nas questões essenciais, não somos tão crescidos assim.
Quais são as principais diferenças entre a infância do seu tempo e a de hoje em dia?
Somos a civilização que criou, até hoje, as melhores crianças. Demagogia à parte, nunca os pais foram tão atentos e cuidadosos e nunca as crianças foram tão felizes… até à entrada na escola. O que acho dramático é que esses pais, até a essa altura fabulosos, parecem perder a compostura.
Acham que, de repente, a escola é mais importante do que devia ser ao mesmo tempo que afirmam que antigamente ocupava menos tempo, aprendia-se o mesmo e eram mais felizes. Os pais querem sempre transpor o que de melhor tinha a sua infância para a dos seus filhos. Então, porque não questionar as horas de aulas de hoje?
Hoje é mais fácil ou mais difícil fazer uma criança feliz?
Fazer uma criança feliz exige sempre uma adaptação dos pais. Se os pais não desistirem desse estatuto, isso vai fazer a criança ser mais feliz. Preocupa-me que, por vezes, as agendas das crianças sejam preenchidas por outras pessoas que não os pais. A família é sempre muito mais importante que a escola. Brincar é tão importante quanto aprender.
Quando as crianças estão na escola quando podiam estar com os pais, isso revela que as hierarquias estão desajustadas. A formação escolar é tão importante quanto a escola da vida e é isso que ajuda a resolver os problemas quotidianos.
Quais os novos desafios para os pais e para os filhos atualmente?
Hoje, o desafio mais importante para os pais é abandonar a ideia de que as crianças e os jovens são de porcelana. A ideia de, por exemplo, as crianças frequentarem o mesmo grupo desde o primeiro ciclo até ao nono ano é um atentado  à saúde mental. As crianças ganham mais se tiverem outros colegas e professores. Tornam-se mais versáteis.
Às vezes, de tanto querer proteger as crianças, estamos a criar uma imunodeficiência à dor. Devemos reabilitar o direito à dor. Assim, vamos ter crianças mais felizes pois é preciso errar para aprender e desenvolver uma espécie de sexto sentido».
Haverá uma chave para a felicidade das crianças?
Ninguém é feliz sozinho. Devemos defender a convivência familiar. Tirar a televisão do quarto das crianças e da hora do jantar e promover o convívio. O que torna as crianças felizes é sentirem a presença dos pais. Quanto mais elas tiverem os pais nas suas vidas mais felizes serão. E brincar com elas e deixá-las brincar. Falamos de algo que deveria ser património da humanidade e uma das chaves da felicidade.
E existirá uma fita métrica dessa felicidade? Como podem os pais saber se o seu filho é feliz?
Quando as crianças estão distantes ou quando estão invariavelmente sob um registo eufórico, algo está mal. As crianças saudáveis são aquelas que, de quando em vez, ficam tristonhas. Se não vivermos a dor devagarinho não conseguimos ser felizes. Têm a vista na ponta dos dedos e a cabeça no ar, fazem uma asneira de oito em oito horas e esgotam as quotas de impertinência a que têm direito.
Fazer uma criança feliz tem mais a ver com dar à criança o que ela quer ou dar-lhe o que ela precisa?
Os pais devem ser uma entidade reguladora. Devem definir regras de acordo com as suas convicções, de bom-senso e sabedoria.  Os maiores inimigos dos bons pais são os pais bonzinhos. Não é por se fazer todas as vontades às crianças que elas gostam mais de nós e são mais felizes.
Como podemos ajudá-las a lidar com as frustrações?
É importante que as crianças sintam a derrota pois a vitória, por vezes, escapa-nos. No entanto, aos pais aconselho que sejam convincentes nas suas decisões, que incutam respeito.
Qual a importância da felicidade na construção da personalidade de uma criança?
A felicidade de uma criança é o maior alicerce da sua personalidade. Quanto mais tivermos cuidado nos primeiros dois anos de vida, mais criamos crianças com um conjunto de recursos que as tornam afoitas, seguras de si, expeditas e curiosas. Obviamente que, enquanto tivermos este cuidado, podemos ter a certeza que vão constipar-se, sentir perto a morte de alguém da família, mas vão manter o equilíbrio, continuar organizadas.
Se, pelo contrário, as protegermos excessivamente, tentando evitar frustrações, à primeira contrariedade vão partir-se como se de uma peça de porcelana se tratasse e, isso sim, é trágico.

As crianças são mais felizes se:
  1. Os pais exibirem versatilidade e adaptação.
  2. A família for encarada como muito mais importante que a escola.
  3. Brincar for entendido como tão importante quanto aprender.
  4. Os pais forem sempre o mais presentes possível.
  5. Os pais servirem de entidade reguladora.
  6. Os pais lidarem com as frustrações das crianças com todo o orgulho.
  7. Filhos e pais sentirem um orgulho recíproco.
  8. Os pais optarem por uma filosofia de transparência e de autenticidade.
  9. Se os pais abandonarem a ideia de proteger excessivamente as crianças.
Texto: Carlos Eugénio Augusto com Eduardo Sá Psicólogo (clínico e psicanalista) com Artur (fotografia)"

Extraído de  https://criancasatortoeadireitos.wordpress.com/

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Crianças que vão mais tarde para a escola são menos hiperativas


"Um novo estudo demonstra que atrasar um ano a entrada para a escola torna as crianças mais atentas e controladas
A idade em que as crianças devem começar o jardim-de-infância ou a escola primária tem sido assunto de debate junto da comunidade científica que estuda o desenvolvimento das crianças. Agora, uma investigação da universidade norte-americana de Stanford vem mostrar que atrasar um ano a entrada das crianças para a escola pode ajudá-las a ser menos hiperativas e desatentas, e a terem mais autocontrolo.
O estudo da universidade de Stanford, publicado em outubro na revista científica do National Bureau of Economic Research, olhou para o caso de crianças dinamarquesas. O estudo demonstrou que as crianças que começavam a escola um ano mais tarde mostravam níveis inferiores de hiperatividade e eram mais concentradas, efeitos que se mantinham não apenas durante o primeiro ano de escola mas até pelo menos os onze anos de idade".
"Descobrimos que atrasar a entrada na escola por um ano reduzia a desatenção e a hiperatividade em 73 por cento para uma criança 'média', aos 11 anos", disse o principal autor do estudo, Thomas Dee, num comunicado da universidade de Stanford. "Ficava praticamente eliminada a probabilidade de uma queria 'média' nessa idade tivesse um nível anormal, ou mais alto do que o normal, de comportamentos hiperativos ou desatentos".
A investigação de Thomas Dee, feita em colaboração com o investigador dinamarquês Hans Henrik Sievertsen, demonstrou também uma ligação entre níveis mais baixos de hiperatividade e desatenção e melhores resultados escolares. As crianças com uma maior capacidade de controlar os seus impulsos e manter-se atentas tinham melhores notas.

O estudo foi realizado usando dados dos censos dinamarqueses e informação de um inquérito que é realizado a nível nacional na Dinamarca para avaliar a saúde mental das crianças com 7 e 11 anos, que mede também os níveis de hiperatividade e desatenção. Na Dinamarca, como é habitual em Portugal, a entrada na escola faz-se no ano civil em que as crianças fazem seis anos. Assim, as crianças nascidas alguns dias antes de 31 de dezembro, que entram na escola com menos de seis anos, podem ser comparadas com aquelas que nascem poucos dias depois, que terão seis anos e oito meses quando começarem a escola.

"Ficámos surpreendidos com a persistência do efeito", disse à Quartz o investigador Hans Henrik Sievertsen. Esperar um ano para começar a escola fazia com que as crianças não tivessem quase probabilidade nenhuma de vir a ter hiperatividade acima da média"


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Obrigado Pai Natal!



"Estou triste", "tenho medo" ou "quero colo" - como todas as palavras que nunca nos dizemos - são as renas do país do Natal!
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1.
Não sei se devia ser eu a dizer-vos mas, na verdade, as crianças não acreditam no Pai Natal. E não imaginam que cento e muitos quilos de ternura, uns pares de renas, algumas toneladas de presentes e o trenó voem, assim, sem uma ventoinha estridente e colorida, ou uma qualquer coisa ruidosa que anuncie, desde muito longe, que a bondade das pessoas está, outra vez, mais ou menos para chegar. Já agora, as crianças também condescendem a propósito das chaminés. E percebem que, mesmo com os exaustores deste país de braços caídos, se (de esgalgarão) tombassem por elas abaixo todos os presentes do Pai Natal acordariam até os mais rebeldes dorminhocos. Há, portanto, qualquer coisa de muito emaranhado nisto tudo. E eu não entendo que haja quem deixe que se misturem histórias batoteiras no espírito do Natal.
  
2.
Imagino que só alguém assustadiço - por nos sentir capazes de acreditar que a bondade das pessoas estaria, outra vez, mais ou menos para chegar - vos tenha dito, um dia, que o pai Natal, afinal, era mentira. Pois bem: chegou a altura de falarmos verdade. O Pai Natal… existe! É assim como um avó do céu. Um pai de todos pais. Um pirata - dos bons! – que resgata os tesouros que os pais escondem, todos os dias, dentro de si, como se fossem tolices de criança. «Estou triste», «tenho medo» ou «quero colo» são as verdadeiras renas do país do Natal. Mal balbuciam, mesmo de forma trapalhona, estas palavras com o seu quê de “abracadabra, e logo os pais são erguidos (não se sabe por quem) e, em silêncio, o seu olhar pesadão sobrevoa cordilheiras, longos prados, lagos, bosques e outros lugares onde o silêncio os torna mais pensativos e mais bonitos. E, sem nunca saírem do lugar, são levados, até a um mimo farfalhudo que os aninha e aconchega. As palavras que nunca nos dizemos são as verdadeiras renas do país do Natal!

Não, quem gosta de nós não surge sempre que precisamos. Na verdade, as pessoas que nos tornam especiais aparecem quando menos as esperamos. E sempre que nos sentem e nos imaginam, enfeitam-nos de luz e são… o Pai Natal. Parece mentira mas é verdade: é o mimo que faz com que seja Natal mais ou menos todos os dias.

3.
Não sei se devia ser eu a dizer-vos mas, na verdade, as crianças só acreditam no Pai Natal porque, sempre que dão mimo a essa história batoteira, os pais ganham a luz misteriosa que só as pessoas que confiam nas suas mentiras parecem acarinhar. E é só porque ficam enternecidas ao roçarem o seu olhar no deles - quando, de língua de fora, fazem as melhores das suas letras, sempre que escrevem ao Pai Natal – que os desculpam, mesmo que alguém lhes tenha já dito, uma e outra e outras vezes, que é feio que se minta. Mas os pais ficam presentes tão coloridos quando, um bocadinho atabalhoados, se atropelam nas suas histórias, que o coração duma criança vacila, de ternura. Então quando mentem sobre renas e chaminés parecem mais pais, quando menos os esperamos, e deixam de ser os mais rebeldes dos dorminhocos! Se nos faltam as fotografias que podíamos ter deles quando nos fitam como se fossemos o seu presente, é porque tudo o que é mágico (e nos faz sentir especiais) nos enche de enfeites que, mesmo que se arme em atrevida, qualquer película que ouse apanhar-nos de surpresa, se atrapalha com a luz e se comove. E, logo que se compenetra, já só apanha o rasto que todas as pessoas que se sentem amadas deixam no céu, sempre que sobrevoam as outras que vivem - pesadonas – invejosas por não conseguirem acreditar que cento e muitos quilos de ternura, uns pares de renas, algumas toneladas de presentes e o trenó voam, assim, sem uma ventoinha estridente e colorida.

4.
Obrigado Pai Natal!
Obrigado por ajudares tantas pessoas – que parecem rezingonas, sorumbáticas, feias, hostis ou enfadonhas – a descobrirem, por um bocadinho, que podem brincar, outra vez. Sem uma qualquer coisa ruidosa que anuncie, desde muito longe, que a bondade está, outra vez, mais ou menos para chegar – obrigado por deixares que, mesmo sem nunca saírem do lugar, elas sejam levadas até a um mimo farfalhudo que as aninhe e aconchegue. Se, ainda assim, neste enorme faz-de-conta, existires (como acredito…), gostava de te pedir que, como um pirata dos bons, resgatasses os tesouros que os pais escondem, todos os dias, dentro de si, como se fossem tolices de criança. E lhes dissesses que «estou triste», «tenho medo» ou «quero colo» - como todas as palavras que nunca nos dizemos - são as verdadeiras renas do país do Natal.

(copia de http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/5717-obrigado-pai-natal"

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

“Entrar na primária com 5 anos? Sim ou não?

mais um artigo que vem corroborar a  linha de pensamento da nossa escola,que vem sendo alicerçada pela nossa experiencia na ação pedagógica e que venho partilhando com os encarregados de educação dos meus alunos. Este artigo chegou-me  partilhado pela mãe Vãnia (a quem agradeço) sempre muito atenta e interessada por temáticas de educação. Pela sua pertinência decidi partilhar com os demais encarregados de educação
extraído de espacopublico@jornaldamadeira.pt      
“Entrar na primária com 5 anos? Sim ou não?
em Portugal, se uma Educadora de Infância sugere aos pais das crianças mais novas (completam 6 anos em dezembro) que retenham o seu filho na Pré, por ser muito novo para ingressar no 1º ano de escolaridade, isso não é visto com “bons olhos”. Os pais consideram que é desprestigiante para as crianças.
Contudo, nos EUA verifica-se um fenómeno ao contrário. Muitos pais consideram que ao reter o seu filho na Pré, estão a proporcionar-lhe razões para que esteja em vantagem relativamente aos colegas mais novos da turma. Como ao ingressar no 1º ano, estas crianças são mais velhas que os demais colegas, possuem uma maturidade maior e são, por norma, consideradas pelos colegas como líderes da turma. Os pais têm consciência de que estão a zelar pelo futuro dos seus filhos.
Mais importante do que ter talento é a prontidão, a maturidade e o ambiente sociocultural. As crianças mais velhas são bem sucedidas pois dedicam-se mais do que as outras e sabem aproveitar as oportunidades que lhes são facultadas. O QI, um índice de inteligência analítica, a partir de certo valor não tem correlação com sucesso, ou seja, os génios não serão necessariamente mais bem sucedidos do que pessoas normais. O ambiente sociocultural e o acesso a livros, a cultura geral, os estímulos e os desafios colocados na Pré, além de constituírem uma educação que permite à criança conhecer e fazer valer os seus direitos, é o que permite desenvolver a inteligência prática, sem a qual as crianças terão dificuldades em se relacionar com os outros, em proferir as palavras mais adequadas nos momentos certos e em aproveitar as oportunidades, ou seja, em fazer valer toda a sua inteligência.
As crianças que fazem anos entre os meses de janeiro e março, ao ingressar no 1º ano são mais velhas que os demais colegas cerca de 9 meses. São os líderes das turmas e os que obtêm melhores resultados escolares. Nos EUA, investigadores constataram que estas crianças são também os melhores jogadores de râguebi. Também Inês Ferraz, investigadora em Psicologia da Educação, tanto pela experiência profissional em ensino no 1º Ciclo, como pela sua investigação, tem demonstrado que as crianças mais novas são as mais prejudicadas com a antecipação da entrada no 1.º ano. Será que estamos a fazer bem em enviar as nossas crianças tão novinhas para a escola “Primária”? É uma questão sobre a qual devemos refletir e ponderar, quando enviamos uma criança com 5 anos para o 1º ano de escolaridade. Mais vale “perder” um ano na vida do que a vida num ano!”
Margarida Pocinho


             

sexta-feira, 20 de março de 2015

Acerca do papel do Pai

 “Ora, o pai – um pai de verdade – nunca será terceiro. Nem é ausente”
Escrito por Eduardo Sá Domingo, 17 Março 2013 |,  in PAIS e FILHOS

“Um pai de verdade nunca será terceiro. Nem é ausente. É precioso nos mais pequenos gestos. É firme e sereno. É sóbrio. É justo e arrojado. Terno e bondoso. E nem mesmo quando se afasta fica  ausente.
1 - Ao longo da história, as famílias foram sendo machistas e matriarcais. A mãe seria, formalmente, o número dois da hierarquia familiar, embora fosse o elemento preponderante na educação dos filhos. O pai respondia pelos recursos económicos e pela lei da família, embora fosse um número um, realmente ausente nos momentos preponderantes da vida das crianças. Em rigor, as crianças tinham dois pais mas nunca usufruíam de ambos em simultâneo e por inteiro. Apesar disso, o pai sempre se acomodou a essa função de elemento de segunda necessidade para o desenvolvimento das crianças: às vezes, porque era colocado, pela mãe, longe da relação com os filhos; às vezes, porque se excluía dela, tornando-se ausente.
O século XX transformou, profundamente, o lugar do pai. As crianças foram morrendo menos no primeiro ano de vida e, por isso, as gravidezes diminuíram. Os métodos contraceptivos tornaram-se mais eficazes As mães passaram a ter uma vida profissional e muitos pais passaram a reclamar mais vida familiar.
2 - O pai é importante para o crescimento das crianças? É. E se muitas mulheres incentivam a «maternalização» do pai (repartindo com ele a educação dos filhos), outras continuam a exigir para si um protagonismo exclusivo que o coloca, invariavelmente, como terceiro na relação mãe/filho.
Ora, o pai – um pai de verdade – nunca será terceiro. Nem é ausente. É precioso nos mais pequenos gestos. É firme e sereno. É sóbrio. É justo e arrojado. Terno, empreendedor e bondoso. E nem mesmo quando se afasta fica ausente. É pai. Para sempre.
3 - Mas há pais que se ausentam e, com isso, magoam um filho. Haverá – de forma simplista – três formas de um pai se tornar ausente para os seus filhos: quando morre, logo que se demite e sempre que se afasta.
Há pais que morrem em vida, devagarinho. Serão, entre todos, os mais dolorosamente ausentes. Acompanham a vida dos filhos, desde sempre. Mas desconhecem-nos. Demitem-se de lhes ler o coração ou de se colocar, por instantes que seja, no lugar deles. Imaginam valer pelos bens que transmitem e nunca pelos sonhos que conquistam (esquecendo que os pais mostram um caminho sempre que o percorrem, nunca se o indicam). Mas morrem um bocadinho se não abraçam. Morrem quando não brincam. Morrem sempre que decepcionam. E são tantas as decepções que os seus gestos acumulam que, quando morrem de facto, os filhos atestam um óbito (mais que desmoronam num choque). E, ao morrerem, deixam a pior de todas as saudades: a saudade pelo que não se viveu. Não são pais pelos gestos que dão mas por tudo o que os filhos desejavam que dessem.
4 - Outros pais tornam-se ausentes quando se separam. Ao contrário do que se diz, não são, por isso, piores pais (embora alguns destes só despertem para os seus deveres de pais com o divórcio). E, se bem que muitos sejam, escandalosamente, descriminados pelo género sexual, quando se trata da atribuição do poder paternal dos seus filhos, muitos divórcios são amigos doutros pais: atribuem-lhe os filhos pelo tempo que, de modo próprio, nunca reivindicariam (tornando-os mais presentes, por dentro, depois de se tornarem, realmente, ausentes, por fora).
O grande problema dos pais de fim-de-semana é que se sentem tão pouco pais que imaginam valer mais pela benevolência de Pai Natal do que por eles próprios. Daí que desde o circuito das pizzarias, nos centros comerciais, até à forma como competem pelo amor dos filhos, em troca de uma t-shrt ou de outros ténis, tudo vale. E, pior, sempre que não são telepais, o exíguo espaço de tempo que compartilham com os filhos, empurra-os para a função de amigos mais velhos, mais ou menos demissionários (quando se trata de definir regras ou limites) que é tudo o que um pai não deve ser.
Alguns destes pais tornam-se ausentes por fora e por dentro. A sua ausência parece legitimá-los nas omissões em relação a momentos fundamentais da vida dos filhos. Falham nas alturas em que a sua presença seria imprescindível. Exigem e intimidam, como se todos os direitos que reclamam não se devessem iniciar em idênticos deveres. Na verdade, não são pais. São, simplesmente, progenitores.
5 - Ora, o pai – um pai de verdade – nunca será terceiro. Não é ausente. Nem amigo ou progenitor. É precioso nos mais pequenos gestos. É firme e sereno. É sóbrio. É justo e arrojado. Terno, empreendedor e bondoso. E nem mesmo quando se afasta fica ausente. É pai. Para sempre.”
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